Existe uma força imensa quando decidimos contar nossas histórias. Se temos um propósito forte por trás, elas podem reverberar ainda mais.
E a internet pode ser um palco incrível para isso!
A convite da @converse_br, refletimos juntos sobre como o digital pode nos ajudar a ampliar nossa voz e também impulsionar nosso propósito.⠀
Vamos contar as histórias dos @rimadoresdovagao, coletivo de rap freestyle que transita em trens de São Paulo para quebrar o tédio e falar de cultura. Na sequência, vamos conhecer a @almapretajornalismo, uma agência de jornalismo independente que tem como objetivo visibilizar as histórias de pessoas negras e denunciar a violência sistêmica que elas sofrem. Para fechar, vamos trocar uma ideia com o coletivo Tibira (@indigenaslgbtq), formado por membros LGBTQ das tribos Terena, Tupinikim, Tuxá, Boe Bororoe e Guajajara, e que tem como mote falar de empoderamento e protagonismo.
Em comum, todos vão nos ajudar, a partir das suas experiências, com dicas práticas sobre como usar a internet com propósito, alcançando uma audiência e, principalmente, fazendo diferença na sociedade. Essa é #ainternetqueagentequer!
Frutos do propósito

Com uma ideia na cabeça e acesso à conexão dá para fazer muita coisa. Nesta série vamos conhecer coletivos que usam a rede para compartilhar seus propósitos.
Flor Costa (@costaflor) é uma das integrantes do @rimadoresdovagao.
Com mais de 20.000 seguidores no Instagram e 80.000 no YouTube, Flor lembra que a estratégia de divulgação começou offline. “Éramos 12 integrantes, e cada um entregava uns 1.000 cartões por dia no trem. Isso fez a gente subir muito.” A mensagem também foi fundamental. “Como a gente é um coletivo de pessoas do hip hop, periférico, temos vários integrantes negros, a gente se posiciona. Temos pensamentos contra o racismo, a homofobia, o machismo, todo tipo de preconceito.”
O @almapretajornalismo afirma que não existiria se não fosse a internet. “Não teríamos condição de ser um jornal, uma rádio. A internet possibilita a criação de um projeto de jornalismo com custos menores, e isso é fundamental”, diz Pedro Borges.
Essa independência viabilizada pelo digital é fundamental, principalmente porque o silenciamento dos negros se faz presente no jornalismo também. “É importante contar nossa história. Fazer um jornalismo ético, com respeito aos padrões de qualidade, que traga um olhar para fatores determinantes que são silenciados, como marcadores de raça, gênero, território, classe.” Acrescenta.
A K Δ T Ú (@katumirim), fundadora dos perfis @visibilidadeindigena e @indigenaslgbtq, usa o digital para reforçar e espalhar sua mensagem. “A primeira luta, a mais importante, é pelo meio ambiente. Então a gente está aqui para falar sobre isso e, cada vez mais, conquistarmos apoiadores. A gente dá a mão um pro outro. A parte mais legal é ver como nosso bonde tá crescendo e como juntos somos mais fortes”.
Construindo um perfil que impulsione seus objetivos;
O time por trás do @rimadoresdovagao vê o resultado de quem decide expressar seu propósito e seus valores no digital. Com a trajetória do perfil, eles já têm aprendizados para compartilhar. “Não desista nem ache que número é a coisa mais importante do mundo. A internet é importante pra divulgação do trabalho sim, mas tem gente que fica tão bitolado em número que esquece de viver a vida real. Se não tiver vivência, você não vai ter produção de conteúdo. Nada vai pra frente sem vivência”, afirma Flor Costa (@costaflor), uma das integrantes do grupo. ⠀⠀⠀
Para além dessa dica tão importante, separamos outras que estão nas imagens a seguir.







Construindo pontes
Na #ainternetqueagentequer, o digital existe para construir pontes. E é isso que o @almapretajornalismo faz desde o início da sua existência.
No álbum, compartilhamos os aspectos fundamentais do digital na construção da história dessa agência de jornalismo independente, que vão desde a questão material, das ferramentas que potencializam a mensagem, do acesso a referências até o retorno do público, fundamental em qualquer construção.
O resultado desse trabalho vem com experiências marcantes. “A gente já teve experiências de trabalho muito interessantes, em outras cidades, países, oportunidades de entrevistas com personalidades como Angela Davis, Emory Douglas (do Panteras Negras), Sueli Carneiro, Douglas Belchior. O que mais me tocou foi o caso do Vitor Albuquerque, preso de maneira injusta. Fizemos uma matéria sobre o caso que reverberou, explodiu. A Justiça reconheceu esse equívoco e hoje ele está em liberdade. É um dos momentos mais marcantes do Alma Preta”.
Críticas fazem parte, e lidar com elas é importante!
Com o crescimento, vêm as críticas. Esse costuma ser um desafio para muitos dos que estão crescendo. Como os coletivos lidam com elas?
“Quando você assume o papel de um portal de notícias, é preciso saber lidar com as críticas. Tem crítica a conteúdo, erro de informação, e isso é muito importante de ser revisto. Pra isso sempre colocamos o ‘Erramos'”, diz Pedro Borges, do @almapretajornalismo.⠀
Para além disso, o grupo vai aprendendo a lidar com outras visões de mundo também. “Tem uma crítica do próprio campo, das pessoas que debatem a questão negra – a população negra não pensa de forma homogênea. No campo da luta antirracista tem maneiras diferentes de pensar em como superar o racismo no Brasil. Isso aparece na nossa cobertura”. A postura é de abertura em relação às críticas que os permitem crescer. “Tem também as críticas destrutivas, que têm que ser ignoradas. É importante que elas entrem por um ouvido e saiam pelo outro”, afirma.
O receio em receber críticas não se torna um impedimento para se expressar e se posicionar no digital. “É importante ser transparente com sua postura e suas convicções, por mais que a gente perca seguidores. Papo reto é papo reto. O que a gente quer é ser uma influência pra quem acredita no que a gente acredita.” Essa é a postura dos integrantes do @rimadoresdovagao, representados aqui pela Flor Costa (@costaflor).⠀
Com a visibilidade, vem mais responsabilidade. “A partir do momento em que você começa a ter visibilidade, você começa a ser um exemplo. É preciso ter responsabilidade com o que se posta”, completa Flor.
A força do ativismo digital

“Nós jovens indígenas usamos hoje a internet como uma ferramenta de luta, para juntar as nossas forças e conseguir apoio.” Para os indígenas, o digital serve para encurtar alguns caminhos também, afirma K Δ T Ú (@katumirim), indígena Boe Bororo, rapper, atriz, ativista e fundadora dos perfis @visibilidadeindigena e @indigenaslgbtq.
“A gente vive num país onde a sociedade desconhece totalmente as nossas questões, a nossa cultura e a nossa pluralidade. A internet é a forma mais rápida que a gente tem de passar essas informações. E ao mesmo tempo ela também ajuda a desconstruir aquele velho racismo de ‘nossa, índio com celular’.”
O caminho é longo, mas K Δ T Ú também celebra os avanços. “Em 2017 eu gravei um vídeo sobre como a fantasia de índio é racista e nunca foi homenagem. A primeira reação foi bem dura. Só que hoje, dois anos depois, eu percebo como isso foi importante. As escolas começaram a falar sobre isso, começamos a receber muitas mensagens de professores que já estão trabalhando o dia do índio de outra forma, não estão mais reforçando o estereótipo.”
A internet é uma ferramenta de luta, ela ressalta, e precisamos aprender a usá-la.
“A gente tem que tomar mais cuidado com compartilhamento em massa. Às vezes compartilhamos uma notícia e nem abrimos pra ver o que é. Já vimos o poder das fake news. Então precisamos saber usar a internet com calma. Ler, pesquisar as fontes, usar com sabedoria”, afirma.
Para finalizar, K Δ T Ú fala sobre a importância do ativismo digital. “Lembro que antigamente as pessoas falavam com tom de crítica ‘ah, é ativista de internet’. Cara, olha como a internet tem ajudado várias comunidades e várias pautas! E não é mimimi falar sobre suas causas nas redes. É claro que o ativismo presencial é muito importante. Mas a gente também não pode descartar e menosprezar o poder que a internet tem.”