Criadores, comunicadores, influenciadores, designers e demais profissionais da internet: o papo de hoje é com vocês. Trabalhar com uma ferramenta tão dinâmica e versátil pode ser maravilhoso, pelo menos até o momento em que esse trabalho invade a sua vida pessoal, sequestra todo o seu tempo, invade o seu horário de almoço e desregula o seu sono. Se identificou?
Desde que as redes sociais se consolidaram como canais possíveis para o desenvolvimento de relações comerciais e profissionais, nós assistimos a uma guinada de inúmeros novos modelos de negócio que sequer dependem de contratos formais. É ótimo que tenhamos tantas possibilidades, mas ao mesmo tempo em que caminhamos em direção a uma aceleração desses modelos de trabalho, também observamos a desvalorização dos profissionais, caracterizada principalmente pela carga horária de trabalho infinita, a extinção dos limites entre a vida pessoal e a profissional e o esgotamento criativo. Se você identificou pelo menos uma dessas dinâmicas na sua rotina de trabalho, bem-vindo: esse guia é pra você.
Do “início de um sonho” até o “deu tudo certo”, quem trabalha com a internet passa por desafios constantes que envolvem a cobrança para a criação de um conteúdo sem defeitos, a busca pela quantidade perfeita de posts a serem feitos em uma semana e de quebra a pressão para acompanhar todas as oscilações do algoritmo sem perder relevância. Detox digital e momentos offline? Uma realidade distante demais para ser alcançada. Não precisamos refletir muito para descobrir que essa é a fórmula perfeita para a exaustão e para um processo de criação não combina com manutenção da saúde mental.
Pensando que #ainternetqueagentequer não pode ser construída se estivermos exaustos, montamos um manual de sobrevivência para profissionais da internet que desejam continuar criando, mas sem sacrificar a sua saúde e seu bem estar para isso.
Queremos saber de você: qual o seu maior desafio em trabalhar com a internet?






Precisamos falar de Burnout
Como anda a saúde mental de quem trabalha com a internet?
Cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros já sofreram ou sofrem de Burnout, a síndrome do esgotamento profissional. A estimativa é da International Stress Management Association (ISMA), e em números totais significa que 1 a cada 3 trabalhadores pode desenvolver o quadro ao longo da vida. Quando falamos de criadores e profissionais da internet a situação pode ser ainda mais complexa, uma vez que a cultura de conectividade faz parecer que nós estamos sempre disponíveis para responder demandas de trabalho, criar, escrever, gravar, postar. Afinal, parece o emprego dos sonhos, não é mesmo?
O caminho até o Burnout é construído a passos curtos: são madrugadas de produção que substituem o sono, adiantamento de jobs que não preveem horários de almoço, junto à pressão por números, métricas e resultados cada vez maiores. O problema desse “supercomprometimento” é que a longo prazo ele não é mais só a exceção de um dia difícil de trabalho, mas sim a regra que dita a forma como nós lidamos com a nossa rotina produtiva. Em pouco tempo a curva de acúmulo de tarefas entra em declínio e se converte em stress, sono, cansaço e esgotamento. E aqui vale um alerta: não é normal estarmos esgotados o tempo todo.
O processo de esgotamento generalizado nos provoca questionamentos como: por que eu estou tão infeliz fazendo aquilo que eu gosto? Esse sentimento de insatisfação é quantitativo: pelo menos 21% dos criadores de conteúdo do Brasil dizem sofrer de ansiedade ou de algum processo depressivo, segundo dados de 2018 do portal Criadores Id.
Na segunda parte do manual de sobrevivência para os profissionais da internet, queremos discutir sobre o que é Burnout, quais as suas consequências e quando o esgotamento é um sinal de alerta para procurar ajuda. Como anda a sua relação com cansaço e criação? Já se sentiu esgotado em trabalhar com redes sociais?




Ficar offline é possível: desconectar para não pirar
Somos o país que mais passa tempo online no mundo: segundo dados da GlobalWebIndex de 2019, os brasileiros passam em média 225 minutos por dia (ou mais de quatro horas) imersos em likes, comentários, stories, tweets, notícias e mensagens instantâneas. Se todo esse tempo gasto já parece absurdo, saiba que essa média pode variar (para mais) quando falamos de criadores, influenciadores e profissionais que dependem das mídias sociais para trabalhar.
Além dos malefícios já conhecidos que os excessos de tempo de tela podem trazer para o nosso corpo, quando nós nos habituamos a uma rotina digital sem limites – mesmo que por razões de trabalho – submetemos a nossa mente a um processo vicioso de dependência liderado pela dopamina, hormônio do prazer. Sobre esse ciclo, Ramsay Brow, fundador da startup Dopamine Labs, explica: “A dopamina associada ao uso de redes sociais ativa no nosso cérebro receptores de prazer, nos ensinando a associar certos comportamentos a recompensas. Nos tornamos cobaias em jaulas apertando o botão e, às vezes, recebendo curtidas em troca”.
Esse é um processo a que todos os heavy users de redes sociais estão sujeitos. Mas quando falamos de profissionais da internet o assunto ganha um foco especial: como fugir desse ciclo e fazer um detox digital mesmo trabalhando nesse espaço?
Na terceira parte do manual da sobrevivência para profissionais da internet, trouxemos caminhos para reverter o ciclo e ter uma relação saudável com redes sociais – principalmente se esse for o seu trabalho. Se você trabalha com a internet, responde pra gente: você já tentou fazer um detox de redes sociais?






Apoie criadores!
Troque sua alfinetada por mais incentivo. Sabemos que a velocidade das redes sociais muitas vezes nos faz “perder” um post, uma comunicação, uma novidade. Até mesmo quando o autor ou a autora é próximo de nós. Por outro lado, quem começa a se expressar mais no online também pode ocasionalmente receber alfinetadas como “só quer ser a blogueirinha”, colocando todas as pessoas que se expressam dentro de uma mesma caixa, mesmo a internet sendo tão múltipla. Por trás de um feedback assim, que costuma misturar humor com toques de sarcasmo, está a pontuação de que você está diferente: aparecendo mais nos stories, falando mais de trabalho, se mostrando mais mesmo aqui nesse mundão da internet. E o problema nisso está muito mais no outro do que em você.
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Temos que ficar bem ligados nos nossos censores, tanto o censor interno (que muitas vezes nos impede de fazer o que queremos, como começar a aparecer mais nos stories, por exemplo) quanto o externo (e aí pode ser amigo, família, seguidor: gente que te acompanha, sabe muito do que você faz, mas não perde a oportunidade de soltar uma crítica, nem sempre construtiva). Que os censores não nos impeçam de colocar nossos pensamentos, desejos, criações e negócios no mundo, não é mesmo?